terça-feira, 2 de novembro de 2010

Entre segredos e jabuticabas 2

Confesso que achava a internet mais divertida antes das redes sociais e do desespero pornográfico. Não me viciei nas redes, mas o desfile incessante causa um certo fastio. Entendo que é preciso comedimento mesmo nas raras amizades. Uma das compulsões nessas redes é de se dizer sempre, ainda que nada, ou seja, fazer-se presente como uma necessidade em si. Como se somente o outro nos justificasse. Mas não podemos ser somente pela percepção do outro, do contrário nada teremos a lhe oferecer. Surge então um paradoxo de feedback o contato e a presença tomam o lugar da relação efetiva. Esta, portanto, já era.
O tema desespero pornográfico é algo menos frequente. Num primeiro momento alguns bons espaços onde buscávamos acrescentar conhecimento sobre informática, que hoje se tornaram espaços de hackers foram assaltados pela indústria pornográfica. Buscar um serial de algum programa, então, é mais exaustivo do que visitar o xhamster ou xtube. Mas não é só isso.
Tanto em redes sociais, quanto em blogs é possível notar como o apelo à exposição gera uma espécie de displasia da imagem. A sofreguidão com que alguns tentam ser o que não são é algo, por vezes, constrangedor. A sucessão de deformações é impressionante.
Parece que ser apenas o que se é desmerece a própria existência. Um ser que precisa não ser.

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Xi, francisquinho, deitaram a língua na jabuticaba!