sexta-feira, 15 de abril de 2011

Sentimental

Percorrer as ruas, escaninhos e vales da memória
Sentir-se, despertencer-se e seguir pelos meandros de coisa alguma.
Deparar-se com a infinidade de valores, alguns mais autênticos que nunca e outros, notórios desconhecidos.
Acreditar que é possível crer na vida, ainda que a mesma diga o contrário sob a perspectiva de um presente quase remoto, insensível.
O que nos salva, então, da memória, é realizar um presente. Não o que nos agrade, mas que abasteça de esperança.
Um átimo de esperança, um fio de relevância que nos conduza para fora da insensatez que por vezes nos abate. Algo que demarque os limites do que é vago, do que é desperto, e do que é semente de porvir.
Como uma vida nova que surge, uma centelha com potencial para reverter nossa descrença, reavivar-nos do cansaço e intimar-nos de volta à vida.
A vida, ora essa, não seria menos que os dissabores. Com tudo o que nos ressuscita diante da inesperada e sempre certa morte. Esta mesma que nos leva a cada dia, um pouco mais que os dissabores, um pouco menos que as alegrias.
Perguntar se há sentido é, provavelmente, a direção errada. Nos leva, talvez, ao nada. O sentido é a direção para onde apontam nossos pés. Não é a vida improviso, ou rascunho. Veja-se no espelho as marcas da sua trajetória. Da vida que nos brinda com a existência, e desiste, ao que parece ao meio do caminho.
Não, claro. Não é o presente que nos preserva, são as marcas que deitamos realidade adentro conformando o que somos entre vida e morte. A vida que nos repousa para sempre. Intangíveis tanto quanto nossos equívocos. Consistentes na medida das nossa realizações.
Ah, vida! Caminho sem volta.

quinta-feira, 17 de março de 2011

O politicamente correto às vezes beira a depravação. Charge não é piada. Ave Montanaro

terça-feira, 15 de março de 2011

Charles Aznavour - Yesterday When I Was Young

Há alguma sensação quanto a um tempo perdido, embora o caminho adiante não me pareça tão difuso. Um dia, quando eu crescer quero estar numa plenitude como essa.


quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Foto de mulher diante do mar

Tenho o olhar aturdido
Uma foto, uma cena, uma história
Uma mulher sentada
Diante do mar
De costas pra mim
Não encontro sinal de olhar
Expressão de destino
Delírio sensual ou contemplativo

A areia não é o que detém o mar
Tampouco os tentáculos negros
Que repousam sobre as costas
Mas a presença de uma força incontível
Que, brincando com as ondas
Delineia os limites do mundo

Não é questão que o mar não enfrente
É uma dança em que duas potências
Decidem legar ao mundo
Uma mostra de equilíbrio profuso
Insensato e cortês
Contido e selvagem

O mar, e tampouco a mulher
Não me percebem
Apenas defletem o que de mim
Resiste à sua atração

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Muito Prazer!

Você
Um consenso do universo
Em que nos despimos das dúvidas
E vestimos a alegria

A cada passo
Uma extensão de mundo
Cada vez mais infinito

Em cada hesitação
Uma certeza de futuro
Em cada sorriso
A confiança no amanhã

Nos seus erros
Reafirmamos a sua vocação pra vida
Nos seus acertos
Se realizam destinos nossos
Que jamais almejaríamos

Não há palavras que bastem
Não há ciências que expliquem
Não há emoção que cale
Só o amor nos justifica

Você,
Meus olhos sobre o mundo
Depois de mim
Um filho que não tem fim



(Bruno Gabriel 3 anos de magia, recentemente)

Contorno por linhas tortas

Não tolero mais semideuses
Estou farto de sua arrogância pueril
Se é pra recorrer a divindades, que sejam plenas, inteiras
Basta de milagres incapazes, ou pela metade
Já há, afinal, metades demais na vida corriqueira
Recorremos a deuses por aspirarmos o além, não por nos bastarem as farsas
E semideuses possuem o condão de nunca alcançar, de fato, graça alguma
São sempre a expressão de algo que poderia ter sido, e se perdeu diante do próprio reflexo
Assim como uma virtude que, incompleta, sempre ocultasse uma mazela
E o universo produzisse, em soluço, algo que tem a pretensão de ser novo, mas que é incapaz de deixar de ser velho.
Nem bem nasce e está decrépito. Que, ao morrer, se torna adubo e não fertiliza.
Como um sonho em que a soberba sufoca qualquer ventura, sejam as virtudes do fracasso, ou a fortuna do saber, ou do sentir
Ainda como graça, são tristonhos, pois, embevecidos em suas nulidades e afogados em seus vazios,
São pouco mais que arremedos de qualidades exasperadas e sempre irresolutas
Nâo são belos os semideuses, não porque alcancem determinada fealdade, mas porque, incompletos, esmorecem em lugar qualquer entre o formoso e o desfeito
Mesmo como desastre, são projetos inacabados, como frases indizíveis
Não lastimemos por eles, mas também não sejamos cúmplices de suas falácias