Démerson Dias*
Que el dolor no me sea indiferente
Que la reseca muerte no me encuentre
Vacío y solo sin haber hecho lo suficiente
Solo Le Pido a Dios, León Gieco
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| Geração Gemini. Prompt Démerson 1/2/26 |
Retomo o assunto das relações nas redes sociais.
Estou recém aposentado e posso olhar com um pouco mais de calma para um assunto que me incomodou pelos últimos 20 anos: O que as redes sociais efetivamente nos oferecem?
Tomei contato com milhares de pessoas (considerando o conjunto das redes). Minha conta no X está abandonada, sem perspectiva. O Twitter foi a segunda rede em que efetivamente me engajei. Sobretudo no contexto do obscurantismo saindo do armário. Não sei o que fazer com aquilo, sob a tomada hostil do Musk.
Como lidar com algo que foi bom, poderia ainda ser, se sobre aquilo repousa um dos episódios mais insólitos da história humana recente (e como seguimos dando vazão a seres insólitos!!)? O Twitter foi, ao menos para mim, a rede mais libertária (no ótimo sentido da palavra). Curiosamente, conseguiam realizar uma curadoria que protegia a sanidade social, sem encurralar formas de opressão estética. Estabeleci bons contatos ali (nem sei se consigo lançar esse texto ali de alguma forma, gostaria que algumas pessoas lessem).
O facebook por muito tempo foi meu território preferido. Embora o tio Zuquibrega esteja apenas pouco abaixo do celerado elon almascarado.
Todos temos muitas pressas. Deixo às pessoas estimadas, e a quase todas neste facebook um pedido de desculpas e a manifestação de intenção.
A depressão que me acompanha desde 2009 decididamente me tornou arredio. No entanto, sobretudo o afeto, mantive cultivado. Não carrego desafetos, são pesados e caros. E talvez isso seja o que mais me incomoda. Potenciais desafetos eu tendo a relegar ao acaso, que pode construir bons vínculos, ou consolidar o distanciamento.
O que mais me constrange é que foram tantos anteparos de proteção que não dou conta de identificar e desmontar todos. E as redes sociais tornaram-se ambiente de risco por natureza. Além do pedido de desculpas, preciso declarar àquelas pessoas que foram parceiras constantes em diversos momentos, que a ausência não foi negligência, mas necessidade.
Ainda assim, o desafio de retomar a interlocução nesses ambientes me constrange. O quanto é possível sermos nós mesmos por aqui? Essa questão existia antes, mas o território se tornou inóspito, quase insalubre.
“Ainda estou aqui”, e sigo aberto às potencialidades e incertezas das relações humanas. Mais do que reaprender a frequentar esses “espaços”, sobram inseguranças, não apenas aqui, mas esse mundo que nos permeia, mas também invade. Não há como distinguir o que é voluntário, ou impositivo nas relações em redes virtuais.
Nos conformamos em fazer promessas de ano novo. Meu desafio é prometer ao meu eu do ano passado que a intenção é fazer diferente. Superar constrangimentos e desesperanças. O ano é novo, mas os desafios, nem tanto. Alguns são as promessas descumpridas, arredias e negadas. Não me incomoda tentar ser uma pessoa nova. Quero recuperar o que é promissor e gentil no meu eu de antigas pessoas. O que nos resta é buscar ser, pelo máximo de tempo possível, o melhor de nós mesmos.
Felizes promessas à todos, que estejamos à altura de nossos passos mais ousados, generosos e, quanto mais, humanos.
E que sejamos, nós mesmos, nossa melhor promessa e realização.
